segunda-feira, 22 de maio de 2017

Architecture Components do Android

Olá povo,

O Google I/O 2017 foi repleto de novidades fantásticas para a plataforma Android. Entre elas, duas foram fundamentais para os desenvolvedores Android: Kotlin e Architecture Components.

Apesar de podermos desenvolver aplicativos Android utilizando Kotlin nas versões anteriores do Android Studio por meio de um plugin instalado à parte, agora ao criar um projeto poderemos selecionar a linguagem de nossa preferência (Java ou Kotlin).

Os Architecture Components vieram para facilitar a implementação de aplicativos de uma forma mais robusta e padronizada, e nesse post vou mostrar um exemplo simples de como utilizar essas APIs.


Adicionando as dependências

Para implementar esse projeto, eu utilizei o Android Studio 2.4 com o plugin 1.1.2 do Kotlin. Mas se quiser utilizar a versão preview do Android Studio 3.0 eu creio que você não terá muitos problemas. Crie um novo projeto com suporte a Kotlin e nomeie a sua activity principal como ListPeopleActivity. Com o projeto criado, vamos fazer as seguintes mudanças no build.gradle do seu projeto como a seguir:

buildscript {
    ext.gradle_version = '2.3.2'
    ext.kotlin_version = '1.1.2-3'
    ext.anko_version = '0.8.2'
    ext.support_version = '25.3.1'
    ext.arch_lifecycle_version = "1.0.0-alpha1"
    ext.arch_room_version = "1.0.0-alpha1"

    repositories {
        jcenter()
    }
    dependencies {
        classpath "com.android.tools.build:gradle:$gradle_version"
        classpath "org.jetbrains.kotlin:kotlin-gradle-plugin:$kotlin_version"
    }
}
allprojects {
    repositories {
        jcenter()
        maven { url 'https://maven.google.com' }
        mavenCentral()
    }
}
Aqui criamos uma série de variáveis com as versões das bibliotecas que utilizaremos no projeto. Isso não é obrigatório, mas facilita a legibilidade do arquivo e evita erros e conflitos entre versões das bibliotecas. Adicionamos a versão do Gradle, do Kotlin, do Anko (que é uma biblioteca para facilitar o acesso aos componentes de UI), da support library e finalmente, das bibliotecas de arquitetura (lifecycle e room).
Na lista de dependências, além do gradle, adicionamos o plugin do Kotlin. Por fim, na lista de repositórios, devemos adicionar o "maven.google.com".

Agora vá até o build.gradle do módulo da sua aplicação e faça os seguintes ajustes.

apply plugin: 'com.android.application'
apply plugin: 'kotlin-android'
apply plugin: 'kotlin-android-extensions'

android {
    // Nada muda aqui...
}

dependencies {
    compile fileTree(dir: 'libs', include: ['*.jar'])
    compile "org.jetbrains.kotlin:kotlin-stdlib:$kotlin_version"
    compile "org.jetbrains.anko:anko-common:$anko_version"

    compile "com.android.support:appcompat-v7:$support_version"
    compile "com.android.support:design:$support_version"
    compile "com.android.support:support-v4:$support_version"

    compile "android.arch.lifecycle:runtime:$arch_lifecycle_version"
    compile "android.arch.lifecycle:extensions:$arch_lifecycle_version"
    compile "android.arch.persistence.room:runtime:$arch_room_version"

    kapt "android.arch.lifecycle:compiler:$arch_lifecycle_version"
    kapt "android.arch.persistence.room:compiler:$arch_room_version"
}
Além do plugin do Android, estamos aplicando o plugin do Kotlin e o de extensões para o Kotlin. Na seção de dependências, adicionamos todas as bibliotecas que utilizaremos nesse projeto. O kapt (Kotlin Annotation Process Tool) substitui o "annotationProcessor" para projeto sem Kotlin. Perceba que utilizamos o kapt para as bibliotecas de arquitetura, pois ela geram o código em tempo de compilação. Isso deve ser feito para outras bibliotecas que fazem esse trabalho (Dagger, DataBinding,  etc.).

Definindo o acesso ao banco

Para simplificar o tutorial e facilitar o entendimento, nosso aplicativo será um cadastro simples de pessoas, onde cada pessoa possuirá o primeiro nome, sobrenome e idade. Para tal, definiremos a classe a seguir:

import android.arch.persistence.room.Entity
import android.arch.persistence.room.PrimaryKey
import java.io.Serializable

@Entity
data class Person(
        @PrimaryKey(autoGenerate = true) var id: Long = 0L,
        var firstName: String = "",
        var lastName: String = "",
        var age: Int = 0) : Serializable
Criamos uma data class anotada com @Entity, o que indica que objetos dessa classe serão persistidos. Todos os parâmetros têm valores default, então podemos criar objetos dessa classe passando nenhum parâmetro. Uma outra curiosidade nessa classe é que devemos adicionar um atributo como @PrimaryKey, nesse exemplo, ele será gerado automaticamente, então definimos a propriedade autoGenerate para true.

Agora vamos definiremos a DAO, a interface que possuirá os métodos para interagir com o banco de dados.
import android.arch.lifecycle.LiveData
import android.arch.persistence.room.*
import android.arch.persistence.room.OnConflictStrategy.IGNORE

@Dao
interface PeopleDao {

    @Insert(onConflict = IGNORE)
    fun insertPerson(person: Person)

    @Update
    fun updatePerson(person: Person)

    @Delete
    fun deletePerson(vararg people: Person)

    @Query("SELECT * FROM Person ORDER BY firstName")
    fun listAll(): LiveData<List<Person>>
}
Nossa interface está anotada com @Dao e os métodos de inserir, atualizar, excluir e listar estão anotados respectivamente com @Insert, @Update, @Delete e @Query. O método insertPerson(Person) possui em sua anotação a propriedade onConflict definida como IGNORE, indicando que caso haja um conflito no momento da inserção o registro será ignorado.
Apesar de não estarmos utilizando esse recurso, no método deletePerson() permitimos excluir vários registros ao mesmo tempo utilizando um vararg. A parte mais interessante é o método listAll() que retorna um LiveData de uma lista de objetos Person.
Utilizando o LiveData quando qualquer registro for inserido, alterado ou excluído, a lista será automaticamente atualizada.
O último passo para podermos utilizar o Room, é definir uma classe que herda de RoomDatabase como mostraremos a seguir.
import android.arch.persistence.room.Database
import android.arch.persistence.room.Room
import android.arch.persistence.room.RoomDatabase
import android.content.Context

@Database(
        entities = arrayOf(Person::class),
        version = 1)
abstract class AppDatabase : RoomDatabase() {

    abstract fun peopleDao(): PeopleDao

    companion object {

        private val DB_NAME = "dbPeople"
        private var INSTANCE: AppDatabase? = null

        fun getDatabase(context: Context): AppDatabase? {
            if (INSTANCE == null) {
                INSTANCE = Room.databaseBuilder(
                            context.applicationContext,
                            AppDatabase::class.java,
                            DB_NAME)
                        .allowMainThreadQueries()
                        .build()
            }
            return INSTANCE
        }

        fun destroyInstance() {
            INSTANCE = null
        }
    }
}
Na anotação @Database informamos quais entidades serão persistidas utilizando a propriedade "entities" e a versão do banco. Perceba que essa é uma classe abstrata, pois assim como a nossa interface DAO, a implementação será gerada em tempo de compilação.
Essa classe será um singleton que é inicializado por meio do método Room.databaseBuilder onde passamos o contexto, a referência à nossa classe e o nome do banco. Perceba que estamos utilizando o método allowMainThreadQueries() que não é recomendado, pois devemos realizar as consultas em uma thread separada, mas não estamos fazendo isso aqui para simplificar o exemplo.
O método peopleDao() retornará uma instância da implementação do nosso DAO.

Definindo os ViewModels

Definida nossa camada de acesso ao banco, partiremos agora para a definição dos ViewModels do nosso pequeno projeto. Primeiramente, vamos criar uma classe que será utilizada na tela de listagem e será responsável por manter o resultado da busca durante a rotação da tela do aparelho sem ter que fazer uma nova consulta ao banco.
import android.app.Application
import android.arch.lifecycle.AndroidViewModel
import android.arch.lifecycle.LiveData

class ListPeopleViewModel(app : Application) : AndroidViewModel(app) {

    var livePeople: LiveData<List<Person>>? = null
    var db: PeopleDao? = null

    private fun getDao() : PeopleDao? {
        if (db == null) {
            db = AppDatabase.getDatabase(getApplication())?.peopleDao()
        }
        return db
    }

    fun getPeople(): LiveData<List<Person>> {
        if (livePeople == null) {
            livePeople = getDao()?.listAll()
        }
        return livePeople as LiveData<List<Person>>
    }
}
Nossa classe herda de AndroidViewModel e está mantendo a LiveData da lista de Person. Dessa forma, caso a lista seja nula, carregamos do banco, caso contrário apenas a retornamos.
Faremos uma classe similar para a tela de cadastro, mas apenas para isolar o acesso ao banco da nossa UI.
import android.app.Application
import android.arch.lifecycle.AndroidViewModel

class PersonFormViewModel(app : Application) : AndroidViewModel(app) {

    private var db: PeopleDao? = null

    private fun peopleDao() : PeopleDao? {
        if (db == null) {
            db = AppDatabase.getDatabase(getApplication())?.peopleDao()
        }
        return db
    }

    fun savePerson(person : Person) {

        if (person.id == 0L) {
            peopleDao()?.insertPerson(person)

        } else {
            peopleDao()?.updatePerson(person)
        }
    }

    fun deletePerson(person: Person) {
        peopleDao()?.deletePerson(person)
    }
}
O método savePerson(Person) irá inserir o objeto se o seu id for igual a zero ou atualizá-lo caso contrário. Já o método deletePerson(Person) excluirá o objeto Person.

Juntando tudo

Finalmente vamos implementar as telas da aplicação, começando pela tela de listagem.
import android.arch.lifecycle.LifecycleRegistry
import android.arch.lifecycle.LifecycleRegistryOwner
import android.arch.lifecycle.Observer
import android.arch.lifecycle.ViewModelProviders
import android.os.Bundle
import android.support.v7.app.AppCompatActivity
import android.widget.ArrayAdapter
import kotlinx.android.synthetic.main.activity_list_people.*

class ListPeopleActivity : AppCompatActivity(), LifecycleRegistryOwner {

    var lifecycleRegistry = LifecycleRegistry(this)

    override fun getLifecycle(): LifecycleRegistry = lifecycleRegistry

    override fun onCreate(savedInstanceState: Bundle?) {
        super.onCreate(savedInstanceState)
        setContentView(R.layout.activity_list_people)

        fab.setOnClickListener {
            PersonFormFragment().show(supportFragmentManager, "form")
        }

        val model = ViewModelProviders.of(this).get(ListPeopleViewModel::class.java)
        model.getPeople().observe(this, Observer { people ->
            listview.adapter = ArrayAdapter<Person>(
                    this@ListPeopleActivity,
                    android.R.layout.simple_list_item_1,
                    people)

            listview.setOnItemClickListener { _, _, position, _ ->
                val person = people?.get(position)
                if (person != null) {
                    PersonFormFragment.newInstance(person).show(supportFragmentManager, "form")
                }
            }
        })
    }

    override fun onDestroy() {
        AppDatabase.destroyInstance()
        super.onDestroy()
    }
}
Nossa classe herda de AppCompatActivity e implementa LifecycleRegistryOwner. Essa interface requer que implementemos o método getLifecycle() que retorna um objeto LifecycleRegistry. Poderíamos simplesmente herdade de LifecycleActivity, mas essa classe herda de FragmentActivity, então perderíamos a ActionBar padrão que é adicionada.

Não vou mostrar o layout dessa activity aqui, mas ele possui apenas uma ListView com o id @+id/listview e uma FloatingActionButton com o id @+id/fab. Perceba que estamos acessando os componentes de UI usando simplesmente o seu id. Isso é feito graças ao kotlinx (Kotlin Extensions).

Ao clicar no FAB, o PersonFormFragment (que mostraremos a seguir) é exibido. Perceba que estamos obtendo o ViewModel dessa tela por meio da classe ViewModelProviders e passando o nome da classe.
Com o ViewModel, obtemos a lista de pessoas e chamamos o método observe para sabermos quando a listagem mudou. Nesse caso, definimos um adapter para o nosso listView e atribuímos o evento de click no item. Perceba que como não estamos utilizando todos os parâmetros, estamos utilizando o "_" no lugar dos respectivos nomes.

A última classe é tela de cadastro que é um DialogFragment.
import android.arch.lifecycle.ViewModelProviders
import android.content.Context
import android.os.Bundle
import android.support.v4.app.DialogFragment
import android.view.LayoutInflater
import android.view.View
import android.view.ViewGroup
import kotlinx.android.synthetic.main.fragment_person_form.*

class PersonFormFragment : DialogFragment() {

    lateinit var person : Person
    lateinit var viewModel : PersonFormViewModel

    override fun onAttach(context: Context?) {
        super.onAttach(context)
        viewModel = ViewModelProviders.of(this).get(PersonFormViewModel::class.java)
        person = arguments?.getSerializable(EXTRA_PERSON) as? Person ?: Person()
    }

    override fun onCreateView(inflater: LayoutInflater?, container: ViewGroup?,
                              savedInstanceState: Bundle?): View? {
        return inflater?.inflate(R.layout.fragment_person_form, container, false)
    }

    override fun onViewCreated(view: View?, savedInstanceState: Bundle?) {
        super.onViewCreated(view, savedInstanceState)
        edtFirstName.setText(person.firstName)
        edtLastName.setText(person.lastName)
        edtAge.setText(if (person.age != 0 || person.id != 0L) person.age.toString() else "")

        btnRemove.visibility = if (person.id == 0L) View.GONE else View.VISIBLE

        btnCancel.setOnClickListener { dismiss() }
        btnSave.setOnClickListener { savePerson() }
        btnRemove.setOnClickListener { removePerson() }
    }

    private fun removePerson() {
        viewModel.deletePerson(person)
        dismiss()
    }

    private fun savePerson() {
        person.firstName = edtFirstName.text.toString()
        person.lastName = edtLastName.text.toString()
        person.age = edtAge.text.toString().toInt()

        viewModel.savePerson(person)
        dismiss()
    }

    companion object {
        val EXTRA_PERSON = "person"

        fun newInstance(person: Person) : PersonFormFragment {
            val args = Bundle()
            args.putSerializable(EXTRA_PERSON, person)

            val f = PersonFormFragment()
            f.arguments = args
            return f
        }
    }
}
Mais uma vez estamos omitindo o arquivo de layout aqui, mas ele possui basicamente três EditText (edtFirstName, edtLastName e edtAge) para os respectivos campos da classe Person, e três botões (btnSave, btnRemove, btnCancel) para salvar, remover e cancelar o dialog. Sendo que o segundo só estará habilitado se estivermos editando uma pessoa.
No onAttach estamos inicializando nosso ViewModel e obtendo o objeto Person passado da tela de listagem. Se não tivermos passado esse objeto, criamos um novo. Perceba que nessa instrução estamos usando "?" nos arguments, pois ele pode ser null, no "as?" pois não pode ser feito um cast de null para Person (isso se chama save cast) e por fim utilizamos o "elvis operator", pois caso a instrução anterior seja nula, criamos um novo objeto Person.
Nada de especial no onCreateView, mas no onViewCreated temos apenas uma instrução interessante para quem é novo em Kotlin que é o if/else retornando um valor (seria o mesmo que o ternário do Java "?:").
Nos métodos removePerson chamamos nosso ViewModel para excluir o objeto e no savePerson para salvar o objeto. Por fim, nossa classe possui o "factory method" newInstance para passarmos o objeto pessoa como parâmetro para a tela de cadastro no caso de uma alteração.

O resultado deve ficar como a seguir:


Essa foi uma pequena introdução de como utilizar as bibliotecas de arquitetura lançadas no Google IO de 2017 utilizando Kotlin. Obviamente existe muito mais a explorar, mas espero que esse post já ajude a dar os primeiros passos com essas APIs.

Para saber mais, assistam esses vídeos do Google IO e a documentação dessas libs. ;)

Architecture Components - Introduction
https://www.youtube.com/watch?v=FrteWKKVyzI

Architecture Components - Solving the Lifecycle Problem
https://www.youtube.com/watch?v=bEKNi1JOrNs

Architecture Components - Persistence and Offline
https://www.youtube.com/watch?v=MfHsPGQ6bgE

Documentação oficial
https://developer.android.com/topic/libraries/architecture/index.html

4br4ç05,
nglauber

sexta-feira, 3 de março de 2017

RXJava + Kotlin + Retrofit + Star Wars API



Olá povo,

Há algum tenho venho estudando dois tópicos relacionados a Android que vem me deixando bem empolgado: Kotlin e RX Java.
Kotlin é uma liguagem dinâmica para JVM desenvolvida pela JetBrains que traz diversas features não existentes no Java. E o RX Java, bem a grosso modo, é uma biblioteca nos ajuda a trabalhar com sequência de dados que podem estar em threads separadas de uma maneira bem mais simples.

O intuito deste post não é como dar os primeiros passos com RX ou Kotlin, e sim documentar e compartilhar o que eu aprendi ao tentar implementar um exemplo "simples" com esse conjunto de linguagem+biblioteca+api.

Nesse post vou mostrar:
- Como acessar a Star Wars API utilizando a biblioteca Retrofit;
- Fazer as requisições utilizando RX Java + Retrofit;
- e todo o código é escrito em Kotlin.

Configuração do projeto

Primeira coisa que você deve fazer é instalar o plugin do Kotlin no Android Studio. Você pode seguir esse tutorial aqui:
https://blog.jetbrains.com/kotlin/2013/08/working-with-kotlin-in-android-studio/
A versão atual no momento da escrita desse post é a 1.1.0-release-Studio2.3-1

Instalado o plugin, crie um novo projeto no Android Studio.
Deixe o build.gradle do seu projeto como a seguir:
buildscript {
    ext.kotlin_version = '1.1.0'
    ext.appcompat_version = '25.1.0'
    ext.retrofit_version = '2.2.0'

    repositories {
        jcenter()
    }
    dependencies {
        classpath 'com.android.tools.build:gradle:2.3.0'
        classpath "org.jetbrains.kotlin:kotlin-gradle-plugin:$kotlin_version"
    }
}

allprojects {
    repositories {
        jcenter()
    }
}

O que temos de diferente aqui é que estamos criando algumas variáveis com as versões do Kotlin e da biblioteca de compatibilidade. E na seção de dependências adicionamos o plugin do Kotlin para o Gradle.
Vá agora até o build.gradle do módulo, faça as seguintes alterações:
apply plugin: 'com.android.application'
apply plugin: "kotlin-android"

android {
...
}

dependencies {
    compile fileTree(dir: 'libs', include: ['*.jar'])
    // Dependência da linguagem Kotlin
    compile "org.jetbrains.kotlin:kotlin-stdlib:$kotlin_version"
    // AppCompat
    compile "com.android.support:appcompat-v7:$appcompat_version"
    // RXJava
    compile 'io.reactivex:rxjava:1.2.5'
    // RXAndroid para termos acesso a main thread do Android 
    compile 'io.reactivex:rxandroid:1.2.1'
    // Retrofit
    compile "com.squareup.retrofit2:retrofit:$retrofit_version"
    // Adapter do Retrofit para retornar objetos observáveis
    compile "com.squareup.retrofit2:adapter-rxjava:$retrofit_version"
    // Converter do Retrofit para utilizar o Gson para tratar a resposta do servidor
    compile "com.squareup.retrofit2:converter-gson:$retrofit_version"
    // Interceptor para visualizar os logs das requisições do Retrofit
    compile 'com.squareup.okhttp3:logging-interceptor:3.6.0'
    ...
}
Aplicamos o plugin do Kotlin e adicionamos as dependências que utilizaremos no projeto. A motivação de cada uma está comentada acima.

A API do Star Wars

Vamos utilizar nesse exemplo dois endpoints da API do Star Wars: films e people.
Se fizermos uma requisição para http://swapi.co/api/films o resultado será o JSON com a lista dos filmes de Star Wars.
{
    "count": 7, 
    "next": null, 
    "previous": null, 
    "results": [
        {
            "characters": [
                "http://swapi.co/api/people/1/",
                ...
            ],
            "created": "2014-12-10T14:23:31.880000Z",
            "director": "George Lucas",
            "edited": "2014-12-12T11:24:39.858000Z",
            "episode_id": 4,
            "opening_crawl": "It is a period of civil war..",
            "planets": [
                "http://swapi.co/api/planets/1/",
                ...
            ],
            "producer": "Gary Kurtz, Rick McCallum",
            "release_date": "1977-05-25",
            "species": [
                "http://swapi.co/api/species/1/",
                ...
            ],
            "starships": [
                "http://swapi.co/api/starships/2/",
                ...
            ],
            "title": "A New Hope",
            "url": "http://swapi.co/api/films/1/",
            "vehicles": [
                "http://swapi.co/api/vehicles/4/",
                ...
            ]
        },
        // Aqui viriam os demais filmes...
    ]
}
Se utilizarmos http://swapi.co/api/films/1 ele trará apenas o filme primeiro filme.
Percebam que os campos "characters", "planets", "species", "starships" e "vehicles" retornam um array de strings, onde cada string representa o endereço para aquela determinada informação. Sendo assim, se acessarmos a URL http://swapi.co/api/people/1/ teremos o resultado abaixo.
{
    "name": "Luke Skywalker", 
    "height": "172", 
    "mass": "77", 
    "hair_color": "blond", 
    "skin_color": "fair", 
    "eye_color": "blue", 
    "birth_year": "19BBY", 
    "gender": "male", 
    "homeworld": "http://swapi.co/api/planets/1/", 
    "films": [
        "http://swapi.co/api/films/6/", 
        "http://swapi.co/api/films/3/", 
        "http://swapi.co/api/films/2/", 
        "http://swapi.co/api/films/1/", 
        "http://swapi.co/api/films/7/"
    ], 
    "species": [
        "http://swapi.co/api/species/1/"
    ], 
    "vehicles": [
        "http://swapi.co/api/vehicles/14/", 
        "http://swapi.co/api/vehicles/30/"
    ], 
    "starships": [
        "http://swapi.co/api/starships/12/", 
        "http://swapi.co/api/starships/22/"
    ], 
    "created": "2014-12-09T13:50:51.644000Z", 
    "edited": "2014-12-20T21:17:56.891000Z", 
    "url": "http://swapi.co/api/people/1/"
}
Note que temos uma referência cruzada aqui. O filme possui a lista de personagens e o personagem possui uma lista dos filmes (no campo "films") em que ele participou.
Entendida a API, vamos começar a brincar com ela!

Definindo as classes de modelo

Um dos recursos que eu gosto bastante do Kotlin é a possibilidade de criar data classes, que são os nosso famosos POJOs. É possível criar várias classes públicas no mesmo arquivo e no Kotlin temos o conceito de propriedade, ou seja, não é preciso definir os gets e sets (embora você possa customiza-los).
Crie o arquivo DataClassesWeb.kt (ou o nome que preferir) que conterá as classes que representarão o retorno das requisições que faremos a API.
package br.com.nglauber.starwarsrx.model.api

import com.google.gson.annotations.SerializedName

data class FilmResult(val results : List<Film>)

data class Film (val title : String,
                 @SerializedName("episode_id")
                 val episodeId : Int,
                 @SerializedName("characters")
                 val personUrls : List<String>)

data class Person(val name : String,
                  val gender : String)

A classe FilmResult representará o retorno da chamada que faremos a lista de filmes. Ela possui a propriedade results que é uma lista de Film. A classe Film, por sua vez, possui o título, o id do episódio e a lista das URLs para obtermos as informações dos personagens. Por fim, a classe Person possui o nome e o gênero do personagem.

Agora crie mais um arquivo chamado DataClasses.kt com as classes "de negócio" da nossa aplicação.
package br.com.nglauber.starwarsrx.model

data class Movie (val title : String,
                  val episodeId : Int,
                  val characters : MutableList<Character>)

data class Character(val name : String,
                     val gender : String){

    override fun toString(): String {
        return "${name} / ${gender}"
    }
}
Como podemos observar, essas classes são bem parecidas, mas preferi separar as classes de retorno de API, das que serão utilizadas na UI.

Definindo as chamadas à API com Retrofit

Nesse exemplo, vamos utilizar apenas dois endpoints da API do Star Wars: o que retorna a listagem de filmes; e o que obtém o personagem pelo seu id. Sendo assim, crie o arquivo StarWarsApiDef.kt e deixe-o como a seguir:
package br.com.nglauber.starwarsrx.model.api

import retrofit2.http.GET
import retrofit2.http.Path
import rx.Observable

interface StarWarsApiDef {
  @GET("films")
  fun listMovies() : Observable<FilmResult>

  @GET("people/{personId}")
  fun loadPerson(@Path("personId") personId : String) : Observable<Person> 
}
Os métodos seguem o que está especificado na API do Star Wars. Para obtermos a lista de filmes, realizamos uma requisição do tipo GET, para o endpoint "films" que retorna um objeto (FilmResult) que possui uma lista de filmes (Film). E para obter um personagem específico, utilizamos o endpoint "people/id_do_personagem".
Percebam que estamos retornando um Observable<FilmResult> e um Observable<Person>. A classe Observable é um dos principais componentes do RXJava (senão o principal). Se você não está familiarizado com esses conceitos, sugiro assistir as palestras do Ubiratan Soares que é uma verdadeira aula sobre o assunto (veja os links no final do post).

Definida a classe com os endpoints, vamos criar a implementação que utilizará esses endpoints. Crie o arquivo StarWarsApi.kt e deixe-o como a seguir.
package br.com.nglauber.starwarsrx.model.api

import br.com.nglauber.starwarsrx.model.Character
import br.com.nglauber.starwarsrx.model.Movie
import com.google.gson.GsonBuilder
import okhttp3.OkHttpClient
import okhttp3.logging.HttpLoggingInterceptor
import retrofit2.Retrofit
import retrofit2.adapter.rxjava.RxJavaCallAdapterFactory
import retrofit2.converter.gson.GsonConverterFactory
import rx.Observable
import java.util.*

class StarWarsApi {
  val service: StarWarsApiDef

  init {
      val logging = HttpLoggingInterceptor()
      logging.level = HttpLoggingInterceptor.Level.BODY

      val httpClient = OkHttpClient.Builder()
      httpClient.addInterceptor(logging)

      val gson = GsonBuilder().setLenient().create()

      val retrofit = Retrofit.Builder()
            .baseUrl("http://swapi.co/api/")
            .addCallAdapterFactory(RxJavaCallAdapterFactory.create())
            .addConverterFactory(GsonConverterFactory.create(gson))
            .client(httpClient.build())
            .build()

      service = retrofit.create<StarWarsApiDef>(StarWarsApiDef::class.java)
  }

  fun loadMovies(): Observable<Movie>? {
    return service.listMovies()
            .flatMap { filmResults -> Observable.from(filmResults.results) }
            .map { film ->
                Movie(film.title, film.episodeId, ArrayList<Character>())
            }
    }
}
Essa classe possui um atributo chamado service do tipo StarWarsApiDef (que criamos anteriormente). Dentro do bloco init{} fazemos a inicialização e configuração do serviço do Retrofit. Adicionamos o HttpLoggingInterceptor ao OkHttpClient para podermos visualizar no Logcat as requisições e as respostas feitas pelo retrofit. Instanciamos o GsonBuilder para que o JSON retornado seja tratado pela biblioteca Gson. Utilizamos o RxJavaCallAdapterFactory para o Retrofit retornar o resultado em forma de objetos observáveis. Por fim, utilizamos o Retrofit.Builder para criar a instância do serviço.
O operador flatMap permite iterar sobre um Observable e retornar um novo Observable. É isso que estamos fazendo no método loadMovies. Estamos chamando o método listMovies() do nosso serviço que retorna um Observable de FilmResult, então utilizamos o operador flatMap para obter o FilmResult e geramos um novo Observable de Film com os filmes por meio do método Observable.from(). Em seguida, iterarmos por cada filme (Film) da lista (que é um Observable de Film) e o transformamos em um Observable de Movie, que é o tipo de retorno do método.

Chamando o serviço na Activity

Vamos ver como acessar o nosso serviço na interface gráfica. Se você ainda não converteu sua activity para Kotlin, faça isso acessando o menu "Code > Convert Java File to Kotlin file". E deixe sua activity como a seguir.
class MainActivity : AppCompatActivity() {

    lateinit var listView : ListView
    lateinit var movieAdapter : ArrayAdapter<String>
    var movies = mutableListOf<String>()

    override fun onCreate(savedInstanceState: Bundle?) {
        super.onCreate(savedInstanceState)
        listView = ListView(this)
        setContentView(listView)
        movieAdapter = ArrayAdapter(this, 
                android.R.layout.simple_list_item_1, movies)
        listView.adapter = movieAdapter

        val api = StarWarsApi()
        api.loadMovies()
            .subscribeOn(Schedulers.io())
            .observeOn(AndroidSchedulers.mainThread())
            .subscribe ({ movie ->
                movies.add("${movie.title} -- ${movie.episodeId}")
            }, { e ->
                e.printStackTrace()
            },{
                movieAdapter.notifyDataSetChanged()
            })
    }
}
Perceba que estamos invocando o método loadMovies() da nossa API. Como vimos anteriormente, esse método retorna um Observable, ou seja, um observável. Nossa tela observará esse objeto, então ela será um Observer. Estamos dizendo que queremos que esse objeto seja criado em background na thread de I/O usando o método subscribeOn(Schedulers.io()). Ele será criado em background, mas queremos observá-lo na main thread do Android, o que nos permitirá atualizar a tela. Ao chamarmos o método subscribe, temos 3 expressões lambda: onNext, que é chamado a cada novo objeto Movie retornado; onError disparado se algum erro ocorrer; e o onCompleted quando a sequência de objetos termina.
No onNext estamos adicionando os filmes na lista (em formato de string para simplificar) e no onCompleted estamos atualizando o adapter para exibir a listagem na tela.
Execute a aplicação e você deverá ver a lista de filmes.

Mas cada filme não deveria ter os seus respectivos personagens?

Sim. Mas para uma tela de listagem isso demora um bocado, pois cada filme tem vários personagens. Então seria melhor na tela de detalhe exibir os personagens. Mas fiquei curioso em saber como fazer isso com RX e resolvi fazer o teste. Vamos voltar ao arquivo StarWarsApi.kt e adicione o seguinte método.
fun loadMoviesFull(): Observable<Movie> {
  return service.listMovies()
      .flatMap { filmResults -> Observable.from(filmResults.results) }
      .flatMap { film ->
          Observable.zip(
              Observable.just(Movie(film.title, film.episodeId, ArrayList<Character>())),
              Observable.from(film.personUrls)
                  .flatMap { personUrl ->
                      service.loadPerson(Uri.parse(personUrl).lastPathSegment)
                  }
                  .map { person ->
                      Character(person!!.name, person.gender)
                  }
                  .toList(), 
                  { movie, characters ->
                      movie.characters.addAll(characters)
                      movie
                  })
      }
}
Olha que loucura isso! :)
Fazemos a requisição da lista de filmes, e para cada filme temos que pegar a lista de URLs dos personagens e apenas quando cada objeto filme estiver completo, é passamos para o próximo. Para fazer isso, utilizamos o operador zip(), pois ele junta o resultado de dois Observables e retorna um novo Observable.
Podemos testar isso agora na nossa Activity.
api.loadMoviesFull()
        .subscribeOn(Schedulers.io())
        .observeOn(AndroidSchedulers.mainThread())
        .subscribe ({
            movie ->
            movies.add("${movie.title} -- ${movie.episodeId}\n ${movie.characters.toString() }")
        }, {
            e ->
            e.printStackTrace()
        },{
            movieAdapter?.notifyDataSetChanged()
        })
Na listagem deve aparecer o filme e os respectivos personagens. Essa requisição deve demorar vários segundos.

Fazendo cache!

Alguns personagens aparecem em vários filmes. Por isso seria interessante fazermos cache dos dados desses personagens para não fazermos requisições desnecessárias. Vamos fazer um pequeno ajuste no StarWarsApi.kt.
var peopleCache = mutableMapOf<String, Person>()

fun loadMoviesFull(): Observable<Movie> {
  return service.listMovies()
      .flatMap { filmResults -> Observable.from(filmResults.results) }
      .flatMap { film ->
          val movieObj = Movie(film.title, film.episodeId, ArrayList<Character>())
          Observable.zip(
              Observable.just(movieObj),
              Observable.from(film.personUrls)
                  .flatMap { personUrl ->
                      Observable.concat(
                          getCache(personUrl),
                          service.loadPerson(Uri.parse(personUrl).lastPathSegment)
                              .doOnNext { person ->
                                  peopleCache.put(personUrl, person)
                              }
                          ).first()
                  }
                  .map { person ->
                      Character(person!!.name, person.gender)
                  }.toList(), 
              { movie, characters ->
                  movie.characters.addAll(characters)
                  movie
              })
      }
}

private fun getCache(personUrl : String) : Observable<Person?>? {
    return Observable.from(peopleCache.keys)
        .filter { key ->
            key == personUrl
        }
        .map { key ->
            peopleCache[key]
        }
}
O atributo peopleCache armazena as instâncias de Person. Então na hora que estamos varrendo a lista de personagens utilizamos o operador concat().first() para pegar o primeiro objeto do cache (se existir) ou da API. Quando buscamos da API, adicionamos o objeto no cache, isso é feito no método doOnNext(). Agora estamos fazendo o cache em memória. Mas poderíamos (e deveríamos) fazer em disco.
Como comentei anteriormente, a implementação sem cache demora bastante (uns 30 segundos), mas essa implementação com cache foi bem melhor. Mesmo assim, acho que não seria legal esperar esse tempo todo para trazer a listagem. Seria melhor exibir a listagem de personagens na tela de detalhe de um único filme. Entretanto foi interessante para explorar o potencial do RX com múltiplas requisições.

Ao terminar de escrever o post, notei que tinha muita informação, então resolvi fazer um vídeo mostrado passo a passo a construção do exemplo e tentando explicar melhor a implementação. Espero que gostem :)



Qualquer dúvida, deixem seus comentários.

4br4ç05,
nglauber

Referências

Site oficial do Kotlin
https://kotlinlang.org/

Site oficial do RXJava
https://github.com/ReactiveX/RxJava

StarWars API
https://swapi.co

Apresentações Ubiratan Soares
Programação Reativa Funcional com RxJava
Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=0FpphC6hL5I
Slides: https://speakerdeck.com/ubiratansoares/rxjava-for-android
Refactoring for RxJava
Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=391H38-7JYk
Sllides: https://speakerdeck.com/ubiratansoares/refactoring-for-rxjava

Dan Lew cache in RX
http://blog.danlew.net/2015/06/22/loading-data-from-multiple-sources-with-rxjava/

Livro de RX
http://www.oreilly.com/programming/free/rxjava-for-android-app-development.csp

Livro de Kotlin
https://antonioleiva.com/kotlin/

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

2016 foi Loko!

Olá povo,

Primeiramente peço desculpas por não ter postado muito esse ano, mas se vocês lerem esse texto, vão entender um pouquinho o motivo. 2016 foi um ano muito intenso, com muitas mudanças que exigiram bastante de mim.

Dominando o Android 2ª edição

No começo do ano saiu a 2ª edição do meu livro, o "Dominando o Android" com uma série de correções e novos conteúdos. Muitas coisas que eu gostaria ter colocado na primeira edição entraram nessa edição e eu fiquei muito feliz com o resultado. Ainda não estou trabalhando na 3ª edição, mas creio que teremos novidades em junho ou julho de 2017.

Despedida do CESAR

Sem sombra de dúvida o evento mais marcante para mim foi minha saída do CESAR. No mês de março, após 10 anos, resolvi pedir demissão, simplesmente porque o que a instituição esperava de mim não estava alinhado com os meus objetivos profissionais. Então, ao invés de ficar reclamando pelos corredores ou fazer um trabalho mau feito, resolvi sair. Mas o CESAR estará sempre no meu coração por ser um lugar muito legal e cheio de pessoas bacanas. Tanto que, pelo menos uma vez por semana, saio de casa apenas para almoçar com amigos que trabalham ou trabalharam no CESAR :)

Equipe do projeto HP no CESAR

Mesa e Mokriya
Quando estava querendo sair do CESAR, meu amigo Leocádio Tiné me convidou para para substituí-lo lá na Mesa. Uma empresa muito bacana aqui de Recife com cerca de 12 pessoas. Então em abril comecei a trabalhar lá. O desafio era bem diferente do CESAR, onde normalmente tínhamos equipes com várias pessoas trabalhando em um mesmo projeto. A demanda de aplicativos lá era/é bem grande e cada desenvolvedor ficava responsável por fazer um app do começo ao fim. Achei isso bem bacana e isso me motivou bastante.
Equipe da Mesa

Com certeza eu ficaria na Mesa por um bom tempo, devido ao ambiente e o trabalho que eram bem legais. Mas o meu grande amigo Douglas Drummond ficou sabendo que eu tinha saído do CESAR e me convidou para entrar no processo seletivo da Mokriya, uma empresa de Cupertino onde a maioria dos funcionários trabalha remotamente. Participei do processo, fui aprovado e como a proposta foi bem interessante, tive que deixar a Mesa para trabalhar de casa, mais uma experiência nova para mim... Tenho que escrever um post sobre isso :)
Pranil, eu e Sunil. Donos da Mokriya.

Quero aproveitar para agradecer a Antônio, Arthur e Tiago que me deram essa oportunidade de fazer parte da Mesa. Infelizmente foi por pouco tempo, mas foi muito bom. E um agradecimento muito especial a Douglas por ter apostado em mim, mesmo tendo conversado pessoalmente comigo apenas duas ou três vezes. Valeu mesmo! ;)

Eventos nacionais
Em termos de eventos, esse ano eu não participei tanto, comparado aos anos anteriores.
Em parceria com o GDG Recife, pelo segundo ano consecutivo eu fui mentor do Study Jam que é uma iniciativa do Google em parceria com a Udacity para ministrar cursos gratuitos sobre tecnologias Google. No meu caso, de Android. :P

Turma do Study Jam

No mês de junho participei de um dos eventos de Android que eu mais gosto: o Androidos day. O evento esse ano contou com a participação de três GDEs de Android. Além de mim, o Quinta e o Bira também estavam lá e enriqueceram demais o evento com suas palestras. Sem contar os outros palestrantes que deram show lá! Parabéns Josias e demais integrantes da organização! Foi muito legal o evento.
E você que está lendo esse post, não perca a edição de 2017! ;)

Palestrantes e organização do Androidos

A partir do mês de julho, o GDG Recife começou a fazer mensalmente meetups de Android onde participei com algumas palestras e sugerindo o conteúdo que seria apresentado. Infelizmente não consegui organizar nada para Novembro e Dezembro, mas prometo voltar com essa iniciativa em 2017.

Em Outubro teve o GDG DevFest Nordeste que foi simplesmente fodástico! O evento aconteceu em um resort em Maceió. Um lugar fenomenal, duas trilhas de conteúdo, muuuuita gente boa palestrando. Enfim, um evento memorável. Parabéns Juarez, Juninho e todos da organização! ;)

Palestrantes e organização do DevFest Nordeste

Eventos internacionais
Em maio participei mais uma vez do Google I/O. Dessa vez em Mountain View (nos outros anos foi em San Francisco) e em um local ao ar livre: o Shoreline Amphitheatre. O evento foi bem bacana, onde o pessoal apresentou todas (ou quase todas) as novidades do Google: Google Home, Alo/Duo, Tango/Daydream, Firebase, Android Wear 2.0, Android Studio 2.2, Android N, ... Enfim, foi muito foda como sempre. \o/
Eu no Google I/O

No mês de novembro, participei do GDE Summit lá no Google, em Mountain View. Esse evento é fantástico para conhecer e rever GDEs de todo mundo, pois muitos deles já trabalharam no Google ou desempenham um papel fundamental na comunidade mundial de desenvolvedores. Além é claro, de ter contato direto com o advocates e o pessoal de produto do Google. Então você pode conversar e saber mais sobre a tendências e a direção que as tecnologias do Google estão tomando. Acho que esse foi o melhor summit que já participei. Muito conteúdo, dicas, conversas e coisas novas para brincar como o Google Home, Tango e Android Things.

GDEs brasileiros no GDE Summit

Também participei do DevFest Silicon Valley. Foi legal, mas nem se compara aos nossos DevFests ;)

Certificação Android
No Google I/O desse ano, o Google anunciou uma parceria com a Udacity para elaborar uma certificação oficial para desenvolvedores Android: a Associate Android Developer. Eu fiz esse exame e escrevi esse post aqui para explicar como funciona todo o processo.

Aulas na Unibratec
Esse ano assumi apenas uma turma de pós graduação, mas que durou quase 4 meses. A coordenação da Unibratec está de parabéns por ter designado 72 horas para a disciplina de Android. Isso me permitiu trabalhar muito bem o conteúdo e foi muito enriquecedor porque a turma estava muito interessada.
Turma de pós graduação da Unibratec

E para finalizar o ano, mais uma despedida: esse será meu último semestre como professor da Unibratec. Devido a viagens que eu tenho que fazer no meu emprego atual e por precisar dedicar mais tempo a algumas outras coisas da minha carreira, tive que me desligar da Unibratec. Ainda ficarei com as turmas de pós-graduação, mas vou dar um tempo nas turmas de graduação.

--

Bem pessoal, essa foi a retrospectiva de 2016. E como vocês puderam ver, esse ano foi muito LOKO! Mas foi muito bom para mim.
Espero que 2017 seja muito bom também para nós todos.

4br4ç05,
nglauber

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Tchau Unibratec :(

Olá povo,

2016 foi realmente o ano de encerrar ciclos na minha vida profissional. Depois de ter saído do CESAR, chegou a vez de dar mais um "até breve".

Após mais de 5 anos, esse será o meu último semestre como professor da Unibratec. Foi um grande orgulho para mim, lecionar na instituição na qual fui aluno entre os anos de 2002 e 2004 no "Curso Técnico de Informática com ênfase em Desenvolvimento de Software" (ou simplesmente CTI-DS). Mas acima de tudo, foi uma ótima experiência ser docente no ensino superior e trocar conhecimento com centenas de alunos durante todo esse tempo.

Comecei a ministrar aulas na Unibratec no segundo semestre de 2011, sempre com a disciplina de Programação Mobile (PGM) do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS). E apesar de já ter sido convidado a ministrar outras disciplinas, preferi ficar apenas com Mobile, que é o assunto que motiva e no qual minha carreira está direcionada.

Exitem várias razões me fizeram tomar a decisão de dar uma pausa nas aulas. A principal delas é que estou viajando a trabalho com uma certa frequência e está difícil conciliar as aulas com o trabalho. Outro motivo é que estou querendo estudar alguns assuntos que estão despertando meu interesse. Também preciso escrever a próxima edição do livro, melhorar meu inglês, ... enfim, preciso de mais tempo. :)

Apesar dessa pausa nas aulas de graduação, continuarei ministrando aulas em turmas de pós-graduação (se me chamarem :), pois o período de dedicação (elaboração de material, correção de prova e trabalhos, lançamento de notas, etc) é menor para essas turmas.

É isso pessoal! Queria agradecer a todos que me ajudaram durante esses mais de cinco anos em que fiz parte do corpo docente da Unibratec: aos meus ex-alunos, aos professores, a assistência pedagógica e todos que os que cruzaram o meu caminho nessa jornada. Mas queria deixar um agrdecimento especial aos coordenadores Hemir e a Aldo por toda paciência, aprendizado e experiência que me passaram durante esses anos.

Um grande abraço e até breve!

4br4ç05,
nglauber

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Constraint Layout no Android Studio 2.2

Olá pessoal,

Com o lançamento do Android Studio 2.2, resolvi fazer um vídeo falando um pouquinho sobre o novo gerenciador de layouts do Android: o ConstraintLayout.
O vídeo é um pouquinho longo (25min) e mostra como criar um layout de uma tela do aplicativo do Netflix utilizando o ConstraintLayout no novo editor visual do Android Studio.
Como é algo relativamente novo, qualquer feedback é muito bem vindo.


Esqueci de falar no vídeo que o ConstraintLayout é compatível com o Android 2.3 e superior.

Mais informações:



Bug report:



Errata:

  • No vídeo foi quando falei "Auto run" ao invés de "Instant Run".


Qualquer dúvida, deixem seus comentários.

4br4ç05,
nglauber

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

DevFest Nordeste 2016




Olá povo,

GDG DevFest é uma iniciativa do Google em parceira com os GDGs (Google Developer Groups) de todo o mundo para oferecer grandes eventos para a comunidade de desenvolvedores. A temporada dos DevFests acontece entre 1 de setembro e 30 de novembro, e no Brasil ele acontecerá em diversas regiões do país. No nordeste, o evento já aconteceu em Aracajú (2014), Recife (2015) e esse ano o DevFest Nordeste será realizado em Maceió-AL, nos dias 21 e 22 de outubro no Pratagy Beach Resort e contará com grandes palestrantes de várias partes do Brasil. Serão discutidos temas relacionados as tecnologias web, backend, mobile, UX e muito mais.
Eu participarei do evento com a palestra "Dominando o Data Binding no Android" onde veremos como otimizar a implementar a lógica da interface gráfica do aplicativo de forma mais fácil, rápida e menos sujeita a bugs. Para conferir a programação completa, clique aqui.

Para obter mais informações, consulte o site oficial do evento.
Você não vai perder essa oportunidade de aprender e fazer parte dessa grande comunidade de desenvolvedores, não é?

Nos vemos lá! ;)

[EDITADO 25/10/2016]

Slides da minha palestra.


Fotos do evento aqui.

4br4ç05,
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